Arquivo da categoria: Animação

Artista, abra seu perfil no Tumblr.

Amigos, abri recentemente um perfil no Tumblr para o Aruanã Estúdio e estou muito surpreso com o que pude encontrar. É, o nome é esquisito mesmo (se fala “Tâmbler“) mas o site é muito bom.

 Embora seja bastante difundido no mundo, ele ainda é pouco utilizado no Brasil. O Tumblr é um mix de blogger com rede social. Você abre um blog pessoal onde publica o conteúdo de seu interesse, mas o diferencial está na dinâmica de exibição.

Como funciona? 

O Tumbler direciona todos os seus usuários para uma página central onde cada um acompanha o conteúdo publicado pelos sites que ele segue ou pelo tema que ele escolheu. O resultado é um tipo de “tela do Twitter” onde imagens, músicas, filmes, animações e textos se desenrolam o tempo todo.

Nesta página você pode optar por rastrear (track) os temas (tags) de seu interesse. Assim, toda vez que alguém publicar algo sobre o assunto, o material será direcionado para sua tela.

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Um conjunto de três ferramentas (Like, Reblog e Reply) permite ampla interação entre os usuários e seu conteúdo. Assim o contato com os autores e a troca de mensagens com cada um deles é muito rica.

A publicação de conteúdo também é muito simples. basta clicar em uma das opções disponíveis (quadro abaixo) que  o post já vem pré-formatado de acordo com a mídia escolhida. Novidades neste caso ficam por conta das opções “Quote”, para frases e citações, e “Chat”, com formatação específica para diálogos e conversas entre duas ou mais pessoas.

“Queue”

Esta é uma opção curiosa. Se você deseja se manter sempre na rede mas não tem tempo para acessar todos os dias, pode deixar publicações agendadas no Tumblr. Ele programará cada publicação para entrar no ar no momento que seus seguidores mais acessam a rede.

Primor pela apresentação:

Um dos grandes diferenciais é a apresentação do conteúdo. O design claro e simplificado destaca o conteúdo publicado e este tratamento parece atrair profissionais e amadores do segmento das artes e trabalhos visuais.

Existem também milhares de possibilidades de adaptação da sua página em diversos modelos disponíveis. Desde uma estante de livros até uma série de folhetos espalhados sobre a mesa, os layouts dinâmicos são uma atração à parte. Assim os usuários utilizam o Tumblr como uma verdadeira “Galeria Virtual”.

No modelo acima, a barra de rolagem corre horizontalmente, aproveitando o formato widescreen dos monitores atuais.

Minha experiência:

O que mais me agradou foi a qualidade do conteúdo apresentado. Artistas talentosíssimos de todos os cantos do mundo publicam seus trabalhos na rede e a nossa gama de referências, técnicas e conteúdo se amplia muito com isso. A animação abaixo, do artista Ryan Woodward é um bom exemplo disso.

O Tumblr não tem a mesma versatilidade de outros bloggers como o WordPress, por exemplo. Especialmente em termos de alinhamento e ajustes de imagens. Mas sem dúvida é o local ideal para se visitar regularmente se você gosta de arte, desenho ou cultura em geral.

Há, claro, postagens sobre praticamente todo tipo de tema, mas eu falo aqui apenas daqueles que são de meu interesse.

É altamente recomendável que se tenha noções básicas de inglês para utilizar a rede pois, como a maioria dos usuários está fora do Brasil, a experiência somente em português se revela boa, mas ainda muito reduzida.

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Gostou da ideia? Então faça seu perfil! Aproveita e siga o Aruanã por lá também. Nosso endereço é:

www.aruanaestudio.tumblr.com 


Onde está o Wall-e?

Clique para ampliar.

Pessoal, esta é muito bacana. Uma paródia do “Onde está o Walie?” feita somente com robôs. A ideia foi do artista Richard Sargent, que desenhou 180 robôs de diversos títulos do cinema e da TV. Vejam se vocês se recordam de alguns deles (e levante a mão quem achou a EVA nos primeiros 2 segundos!)

Achado o Wall-e, aqui vão mais 11 robôs para procurar:

  1. NS 5 do Eu-robô;
  2. A Rose, empregada doméstica dos Jetsons;
  3. Os Sentinelas do Matrix;
  4. Os soldados do Hordak, inimigo da Sheera;
  5. O Ultraman;
  6. A Pick Up dos Transformers;
  7. Marvin, o robô mal humorado do Guia do Mochileiro das Galáxias;
  8. Os robozinhos do filme “O milagre veio do espaço.” da década de 80;
  9. R2 D2, do Star Wars;
  10. T-800 do Exterminador do Futuro;
  11. Ed, o inimigo do Robocop 1;

Quem quiser saber mais pode acessar o site do artista:

http://www.hopewellstudios.com


Dicas de roteiro e de animação em Flash.

Nestes meus dias de pequisa, encontrei duas fontes de informação que tem me ajudado muito e por isso estou repassando a todos.

Roteiro:

A primeira é o blog Dicas de Roteiro de Valéria Olivetti. Não trata apenas de animação, mas sobre diversos tipos de roteiro e produção de vídeo e cinema. A linguagem é muito clara e objetiva e a gente entende tudo mesmo não sendo um expert no assunto. Entre os temas que mais me ajudaram estão:

  • Como Escrever Um Roteiro;
  • Como formatar diálogos;
  • 24 Divertidas Perguntas “E Se…” Para Fazer Quando Estiver Empacado Com Bloqueio de Escritor;
  • 12 perguntas essenciais que todo escritor deve responder.
Eu definitivamente não sou escritor, até por isso os textos me foram tão úteis. Mas este conteúdo me ajudou muito. Estou fazendo uma animação independente e grande parte do roteiro que escrevi para ela foi adaptada e direcionada seguindo as dicas da Valéria.
Para conhecer também estas dicas vocês podem acessar diretamente o blog pelos endereços:

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Animação em Flash:

Para desenho e animação eu escolhi trabalhar com o Adobe Flash, que praticamente todos conhecem. Eu estudei desenho de animação há mais de 20 anos e as coisas eram muito mais difíceis antes. Agora precisava “reaprender” o trabalho de forma rápida e adaptada à nova tecnologia voltada para a rede.

Um verdadeiro “achado” neste sentido foi o livro dos irmãos Piologo: Flash Animado, da Editora Novatec, pois trata do uso do aplicativo voltado especificamente para animação em 2D. Eu gostei muito!

Aborda desde os comandos do Flash até fundamentos do desenho de animação, divididos nos capítulos:

  1. Flash básico;
  2. Ideias, roteiro, story board e layout;
  3. Configurações (do arquivo de animação);
  4. Desenhando (desenho para animação e sua importação para uso no computador);
  5. Conceitos básicos da animação;
  6. Pintura (no Flash);
  7. Edição: Animação no Flash;
  8. Áudio;
  9. Publicação (em vários formatos como internet, TV etc);
  10. Outros programas de animação.

Os irmãos Piologo são os criadores do site Mundo Canibal, o maior site de animações próprias no país. Para quem não se lembra, são os criadores da “Avaiana de Pau”. Bom, o estilo de desenho deles não é exatamente o que pretendo seguir, mas é um trabalho muito bacana. Os irmãos Rodrigo e Ricardo dividem suas experiências boas e ruins no livro, o que ajuda a estruturar o trabalho de forma a evitar os erros mais comuns (que normalmente a gente só descobre quando é tarde demais).

O livro pode ser encontrado nas livrarias e o leitor pode saber mais a respeito no site http://www.piologo.com.br/flashanimado/index.html 

Vale a pena conferir.

Para quem não conhece ou não se lembra, segue abaixo a animação de maior sucesso deles, a Avaiana de Pau.

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Para estudo do desenho em si, há ainda outra dica muito boa, mas em inglês somente:

Cartoon Animation by Preston Blair (foi o livro com que eu aprendi desenho de animação!)

Blair foi um dos maiores animadores dos tempos áureos dos estúdios Disney e o livro aborda todos os conceitos fundamentais do desenho de animação e concepção dos personagens.

Independente de se optar por animação 2D ou 3D, este é um livro sobre a base do desenho em movimento com as principais técnicas que regem a animação deste o meio do século passado.

Abaixo seguem algumas pranchas do livro.

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O Cenário

O cenário é um plano essencialmente funcional, a base sobre onde ocorre toda a ação. Ele deve dar apoio ao personagem para contar a estória, e não disputar com ele a atenção do expectador. (Se bem que há casos onde o cenário é mesmo o personagem principal).

Aqui seguem algumas dias que aprendi sobre o assunto, e que foram usadas nesta primeira animação que estou montando.

          Enquadramento:

Deve-se definir a área onde a ação  acontece e valorizar esta região. Preferencialmente com poucos elementos.  As outras partes ajudam a situar o expectador na estória. No exemplo acima, a base da tela à direita é a área de ação, onde os dois personagens permanecem a maior parte do tempo. A área de apoio, no alto da tela, traz informações como: o período do dia ou noite, a posição que eles ocupam na aldeia e o local e tamanho da aldeia no meio da selva. Em destaque, perto do sol, fica uma antena parabólica, que justifica uma série de eventos estranhos no roteiro.

          Tratamento de contraste:

Neste caso, como o cenário contém muitos elementos, achei melhor reduzir o contraste entre eles para tornar o resultado mais leve e destacar os personagens. Sendo assim, os objetos do cenário são divididos em planos de cores análogas e sem contorno. Já os personagens centrais possuem cores mais saturadas e contorno preto em seu desenho.

          Veladura das cores:

Uma das grandes dificuldades ao montar um cenário, na minha opinião, é mergulhar todos os elementos em uma mesma atmosfera de cores para que  formem um conjunto harmônico. Um pote vermelho fora do tom faz parecer que ele foi “recortado e colado” na tela. Para resolver essa questão eu aprendi uma técnica bem útil e fácil de trabalhar.

Acima, o cenário com as cores do fundo saturadas. Abaixo, a camada semi-transparente equaliza todos os elementos de fundo em uma mesma atmosfera.

Sobre os elementos do cenário, aplique uma camada de cor semi-transparente. Neste caso, usei o azul claro para dar aquela atmosfera de “sol de rachar” que deixa tudo um pouco “esbranquiçado” nos dias de calor. Aumentando a intensidade desta cor no alto da tela, destaca-se a impressão de profundidade e valorizando ainda mais os personagens no primeiro plano.

          Dia e noite:

Uma vantagem do trabalho com vetores é a mudança fácil de cores. Assim para alternar a cena do dia para a noite, segui 3 passos básicos: Primeiro, alternei todos os elementos de fundo de cena para tons de preto e azul escuro. Depois, troquei a cor da camada de veladura do azul claro para um azul muito profundo (similar ao azul da Prússia). Por fim, retirei o sol e inseri a lua e as estrelas em primeiro plano, pois elas não podem ser velada pelo azul.

 

Na área de ação, surgiram dois problemas com a noite. Primeiro que não gosto muito daquelas cenas com personagens no escuro onde não podemos ver claramente o que acontece, efeito que hoje é agravado ainda mais pela distorção de cor que os monitores de LCD causam com o ângulo de visão do expectador. Segundo que seria muito trabalhoso criar e animar todo um novo banco de módulos e personagens com duas cores, uma mais clara para o dia e outra escura para a noite.

Para resolver isso, resolvi “plantar” duas tochas na área de ação, junto do totem central. Com alguns recortes arredondados, elas passam a “iluminar” a boca de cena permitindo que, mesmo à noite, mantenhamos a iluminação ideal para acompanharmos a estória. Mais tarde, alguma tremulação das chamas e dos recortes de luz ajudarão a dar mais realismo à cena.

Bom, estas foram as dicas que usei para montar o cenário. Espero que ajude caso alguém esteja pelejando para resolver estes problemas, como um dia eu também estive. Agora vou aprender a operar o Flash para dar início aos testes de animação para ver como funciona.


Camadas do cenário

Para ilustrar melhor as questões de que falamos no post anterior, segue aqui um slide-show com as diferentes camadas do cenário até a chegada dos personagens.

Primeiro, a base da floresta, céu e terra com desenhos simples. Depois temos as camadas com ocas e elementos de cor  que delimitam as áreas no chão.

Sem seguida vem a veladura de luz azul, semi-transparente,  sobre todo o cenário de fundo. terminada esta parte chegam os elementos de cena como o totem e as cestarias para, enfim, receber os personagens.

Com o contraste leve de fundo, os personagens podem movimentar-se à vontade pelo cenário, sem conflito nem choques com os elementos do cenário.


Mesa de animação no iPad.

Pessoal, eu achei este aplicativo para desenho de animação muito bacana. Chama-se Animation Desk para iPad. Transforma o iPad em uma mesa de luz para animação. Eu não sei se a experiência do desenho é realmente boa (quando os tablets eram mesas digitais parecidas com um mouse pad, era muito esquisito de se desenhar), mas ao que parece no vídeo, não é tão ruim assim.

Além de eliminar o escaneamento das folhas, funciona exatamente como uma mesa de luz com visualização dos frames de trás.

           O Original:

Para o pessoal que não conhece animação, seguem aqui alguns modelos tradicionais da mesa de luz. É uma mesa de vidro com luz no fundo, que permite que vejamos os desenhos em 3 a 4 folhas sobrepostas, permitindo assim que se anime cada quadro do desenho.

 

O modelo tradicional era parecido com este acima.  O disco preto serve para girarmos a mesa para facilitar o traço. Mas agora há no mercado um modelo novo chamado Arraia. É utilizado nos cursos de pós graduação em animação da PUC – Rio. Ao que pude ver, as “asas” laterais tornam o trabalho mais cômodo e agradável. Aqui, algumas fotos da mesa e da truma de animação da PUC, obtidas no próprio site da Arraia.

Quem quiser saber mais sobre este modelo ou comprar um pode obter mais informações no site clicando aqui.


Personagens: o Pai.

Este é o personagem mas complexo a princípio. É o pai de Mirim e um tipo de chefe da aldeia. Ao mesmo tempo que carrega em sai as tradições da tribo, precisava também refletir a sabedoria e serenidade que a maturidade em suas raízes traz.  Repleto de adornos e apetrechos no rosto, decidi deixá-lo sentado no chão, também próximo à terra, em uma postura que remete muito aos avatares do oriente como Buda e os mestres do Hinduísmo.

Desta “salada” de elementos, surgiu o pai de Mirim. Um índio não muito velho e ainda forte, mas que precisa, à sua maneira, mostrar a seu filho o valor e a beleza de sua cultura. De uma forma ou de outra, ele vai conseguir.

Como este personagem permanece estático na maior parte do tempo, podemos usar muitos vetores sem dificultar o trabalho. Eu optei por encher o rosto do Pai com os adornos típicos das tribos brasileiras, sem alusão a nenhuma delas especificamente. Mas o cocar e a boca são, claro, do famoso cacique Raoni.

Acima, uma imagem do processo de vetorização, onde o desenho a lápis permanece por baixo e os vetores são desenhados no Corel Draw por cima. Abaixo um detalhe dos vetores e adornos no rosto do personagem.

Por fim, o raio X dos vetores do Pai. Clique para ampliar.


Personagens: Tatu.

Tatu é um personagem coadjuvante que, em um dado momento, se torna parte fundamental no enredo. Carrega em si a inocência da infância e da vida adulta daqui, quando os europeus ainda não haviam chegado. Escolhi o tatu por ser peculiar das Américas e ser um ser da “terra”, reforçando a raiz e origem do nativo como caráter marcante na estória. Além disso, “tatu” é também uma palavra tupi.

Como todo mascote ele precisa ser engraçado e flexível, se desdobrando sob vários aspectos no decorrer da estória. Neste caso não gostei muito do primeiro modelo vetorizado, pois ele parecia ter um especto muito “adulto”, o que gerava conflito com a espontaneidade de Mirim.

A partir de então uma simplificação das formas do corpo e o encurtamento da cabeça resolveu o problema. Assim o tatu parece tão criança quanto Mirim, seu amigo.

Neste exemplo temos um modelo da vantagem do trabalho com módulos na animação em vetores. não é preciso desenhar todo o personagem novamente, apenas mudar a posição dos módulos de vetores, para gerar o movimento.

Aqui, mais um “raio X” dos vetores no personagem.


Personagens: Tupi Mirim.

São 3 os personagens de Mirim, título provisório da animação que comecei a montar. 2 índios e seu animal de estimação. O Pai, o Tupi-Mirim e o Tatu.

O personagem principal é Mirim, um menino índio. Expectador de nosso mundo via antena parabólica. Um pouco entediado com a vida na aldeia, ele passa a indagar seu pai sobre a possibilidade de alguma mudança. Mirim é jovem, impetuoso e engraçado. Para traduzir esta personalidade, desenhei um personagem de cabeça grande e levemente gorducho. Ao pesquisar para definir sua indumentária, uma questão me chamou atenção. Ao procurar imagens dos índios nas aldeias, me deparava freqüentemente com o mesmo alerta do provedor dos sites:

Atenção, este site apresenta conteúdo impróprio para menores de 18 anos. Deseja realmente entrar?

As imagens dos índios nas aldeias eram consideradas impróprias, ao mesmo tempo que, dois links abaixo na página de buscas do Google, poderíamos acessar “celebridades” ensinando crianças de 6 anos a dançar “na boca da garrafa”.

Com base nisso decidi então: Mirim viria ao natural. Sem roupa alguma, além de suas penas e faixas vermelhas amarradas no corpo.

            Desenvolvimento do Personagem:

Tecnicamente falando, a criação do personagem envolve vários aspectos. Aqui temos ilustrados alguns deles. Inicialmente fazemos uma série de rabiscos descompromissados onde experimentamos qual seria o formato e proporções ideais para corpo, cabeça e assessórios.

Neste caso achei melhor um personagem um pouco gordinho e com a cabeça grande. Como suas marcas registradas, ele não tem roupa nem aqueles “paninhos” para cobrir suas “vergonhas”. O corte do cabelo e cabeça tem o formato de uma Oca, a casa dos índios. Acentuando o desenho da oca, na frente o seu cabelo tem uma mancha vermelha, no mesmo formato das entradas destas cabanas.

Uma vez definida a forma, passamos para a vetorização. Um processo onde usamos o mouse e desenhamos cada parte do personagem em módulos diferentes. Os vetores são as linhas que formam estes módulos. Dá muito trabalho no começo, mas depois facilita tudo tanto na animação do personagem quanto no trabalho com as cores.


Mirim: meu desenho de animação.

Estudo de cena com o os personagens e cenário.

“Todos veem o que pareces, mas poucos percebem quem és. E estes poucos não se atrevem a desafiar a opinião dos muitos.”

Esta frase de Nicolau Maquiavel foi escrita no período em que o Brasil foi descoberto. Após 500 anos não mudamos tanto, foi pensando nesta afirmação que, olhando para nós, resolvi tomar este como tema para um animação que resolvi produzir em meu tempo livre.

Já há algum tempo tenho pensado em produzir um pequeno filme deste tipo. A idéia é abordar de forma divertida e um pouco irônica a presença do índio em nossa cultura, e a nossa presença no que sobrou da cultura deles. Desde o nome das cidades até a comida e costumes, os hábitos dos índios são parte tão forte de nós hoje que chegam a nem ser percebidos.

“Pulei da rede e fomos mais cedo a Jundiaí, comprar mandioca, porque está armando um toró daqueles”.

Nós somos assim.

O enredo aborda também a negação que existe hoje aos remanescentes desta cultura, e pelos mesmo motivos de 500 anos atrás. Ora porque o que veio da Europa é muito mais chique, ora porque “Deus” quis assim. Assim como na época das missões jesuítas, ser nativo chega a ser crime diante dos olhos do “Senhor”.

De fato, essa era terra de Tupã, até que os portugueses chegaram e disseram que os nativos deveriam deixar de acreditar naquelas coisas… e acreditar em outras.

E assim foi feito. Assim nós fazemos.

Vetorização de um dois personagens, após o a sua concepção em grafite.

Ainda estou aprendendo a operar o Flash. Aliás, estou reaprendendo tudo, pois muitas coisas mudaram desde que aprendi a fazer desenho de animação. Como tenho recebido muitas visitas no Aruanã procurando informações sobre este assunto, vou publicar aqui no blog o progresso deste trabalho e as dicas que a mim foram úteis.  Espero que possam ajudar e inspirar outros também.


Estudos com personagens Disney

Clique para ampliar

A maioria dos exercícios feitos em desenho de animação na faculdade foram baseados na linha de trabalho dos estúdios Disney, do autor Preston Blair. Para encerrar a série sobre o tema em minha estadia na Belas Artes, seguem aqui alguns estudos de estrutura facial e expressões dos personagens da época.

Quando não havia Google Imagens, mais uma vez a gente “colecionava” modelos para desenho no álbum de figurinhas. Acima, a cigana Esmeralda de O Corcunda de Notre Dame. Abaixo alguns estudos de expressão facial da Fera de A Bela e a Fera. Eu gostava muito de desenhar com este personagem pois, ao mesmo tempo em que ele é muito complexo, o resultado de tantos elementos no rosto proporciona expressões muito ricas. Era preciso ver o rosto como se fosse feito de “borracha”, exagerando nos movimentos e intensificando o valor e peso da expressão.

Clique para ampliar.

Aqui os gárgulas que serviam de personagens de apoio no desenho do Corcunda. Este é um bom exemplo de 3 personalidades distintas formando um grupo de personagens. Um sábio (a velhinha) um pateta (com rosto comprido) e um bonachão (o gorducho). Esta “fórmula” se repetia em vários filmes Disney, como no caso das hienas do Rei Leão, por exemplo. Logo abaixo á um estudo com o vilão do filme, o Juiz Frodo, da inquisição.

Clique para ampliar.

Clique para ampliar.


Expressões faciais em animação.

Aqui duas características muito curiosas do desenho de animação que pude exercitar na faculdade. A criação de personagens bebês e expressões faciais.

Uma técnica muito simples é capaz de tornar qualquer personagem já existente em bebê. Basta aumentar o tamanho da testa deixando a cabeça redonda e grande. Aumentar os olhos e diminuir a distância entre eles. Por último basta encolher e deixar bem juntos na base do rosto o nariz e a boca. Abaixo temos um exercício que fiz que transformava  vários personagens Disney famosos da época em bebês.

Personagens bebês. Clique para ampliar.

Outro exercício interessante porém mais complexo é o desdobramento de  expressões faciais. São muitos horas se olhando no espelho e fazendo careta para reproduzir tudo no personagem depois.  Aqui alguns estudos com o Scar, vilão do Rei Leão e a Vovó Willow, árvore mágica conselheira da índia Pocahontas. Na época não tínhamos muitas referências para trabalhar então o jeito em muitas ocasiões era comprar figurinhas nas bancas e torcer para vir um personagem fazendo bastante caretas.

Clique para ampliar.

Acima o rosto da vovó Willow em detalhe (eu adorava as texturas do rosto dela em casca de árvore). Abaixo os desdobramentos do rosto dela em expressões feitas olhando meu próprio rosto no espelho.

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